Precisamos de mudança, agora!

Posted in Uncategorized on 7 de junho de 2009 by Polentas
PARA O BLOGEu e um poste, qual a diferença? Eu e um poste somos iguais. As pessoas passam por nós e não nos notam, não são capazes de nos cumprimentar ou reconhecer o nosso esforço, afinal, o que seriam das ruas sem estarmos por perto segurando uma vassoura? Sim, essa é a nossa arma, esse é o nosso ’ganha pão’, acordamos cedo e tentamos cuidar da limpeza de nossa cidade. Tudo bem que, se fosse pra escolher, eu não escolheria esse trabalho, e digo isso não somente pela mão de obra que nos traz, mas sim pelo modo como somos tratados. As pessoas, sem ao menos se preocuparem com o tal meio ambiente, abrem as mãos e deixam que o plástico, a lata, a sujeira caia no chão. O meu dever é limpá-lo. Me visto de laranja e varro aquilo que virou algo inútil para você, muitos acham que, consequentemente, eu sou inútil. Quando eu estava na 4ª série, o último ano em que eu estudei – ainda lembro vagamente de como se liam as palavras -, a professora disse “aquilo que nós fazemos revela quem nós somos”. Então, fico pensando… Se as pessoas não conseguem enxergar além, se as suas vistas são embaçadas pelo preconceito e eu sou um dos principais alvos dessa indiferença e, se o que nós fazemos é aquilo que nós somos, então, eu sou um lixo. Sou um poste. Ouvir Bom dia? Não, eu não sei como isso é…Devo ter esperança de escutá-lo?


“O Brasil escolheu um caminho errado para chegar à era digital, privilegiou os fabricantes de computadores. Quando de fato entrou no jogo, na década passada, andou rápido. A exclusão social é ruim de qualquer ângulo. É preciso evitar que a nova economia reproduza no Brasil problemas de muitos anos, ou, pior, agrave-os. Pode-se dizer, portanto que o paradigma da nova economia é a internet e seu efeito é uma nova sociedade – a sociedade do conhecimento que valoriza o capital intelectual e os processos de acúmulo e transferência do conhecimento.”(1)

Passando a limpo…


O primeiro texto exposto a cima é apenas um exemplo dos diversos casos e situações em que a mediocridade da opinião alheia faz com que os trabalhadores, não tão bem remunerados, sofram pela indiferença causada por esse tipo de preconceito.

Desde os primórdios da história, a humanidade dividiu os trabalhos entre os habitantes; enquanto um caça, o outro cozinha; enquanto alguns cuidam da parte financeira, outros criam o produto e assim por diante… A partir da Idade Média observa-se a divisão das classes sociais, seguíamos para a tão conhecida ‘pirâmide social’, onde a meta passou a ser alcançar seu topo. A massa, a população carente, a ‘deixada de escanteio’, essa fica embaixo, firme – na medida do impossível -, sustentando todo o resto. No meio, a classe média, cada vez aumentando mais seu número, torcendo para conseguir chegar no alto sabendo que qualquer deslize, qualquer descuido ou precipitação, pode levá-lo para baixo e, ficar no final da pirâmide, ninguém quer. No topo os tais ‘privilegiados’, de acordo com Marx são “a classe dominante, eles controlam direta ou indiretamente o estado.”(2) Podemos talvez concluir que a história da humanidade é a sucessão da luta de classes.

Quando cito a indiferença me refiro também ao egoísmo, a ignorância e frieza pelos quais alguns trabalhadores são obrigados a suportar. Seus rostos são apagados, é como se eles não existissem. Catadores de sucata, garis, motoristas e cobradores, qualquer trabalho que na visão superficial e errônea da elite seja mal-remunerado, é insignificante e, portanto, não merece o mínimo de atenção.

O que está em questão, além do relacionamento entre as pessoas, são as vantagens e desvantagens que cada uma tem. Em primeiro lugar a educação. Estamos assustadoramente acostumados a ouvir que a diferença na escolaridade dos brasileiros é gritante, pesquisas apontam que somente um terço dos brasileiros frequentam diariamente a escola (professores e alunos). O que, pensando nos meios de propagação do conhecimento, nos leva a indagar sobre a internet e como se encontra a sua difusão. O novo meio de comunicação, considerado um dos maiores sistemas de integração mundial que, mesmo sendo ágil e eficaz, alcança um número determinado de acessos, criando mais um tipo de exclusão, a exclusão digital e, esta “diz respeito às conseqüências sociais, econômicas e culturais da distribuição desigual do acesso a computadores e Internet. Exclui-se, portanto, o acesso à telefonia.“(3) Aumenta o patamar que determina o índice de pobreza de uma pessoa, agora, a alfabetização digital tornou-se extremamente importante.

Voltando para as vantagens e desvantagens citadas no parágrafo anterior, não podemos esquecer da influência da mídia sobre as pessoas. A primazia demonstrada pela televisão, pelos noticiários especificadamente, é impressionante. Bom ou ruim? O fato é que nós precisamos da informação, seja ela qual for. Porém, a partir do momento em que ela – a informação – passa a ser encoberta por outros eventos, ação conhecida como “efeito paravento”, percebemos que, de acordo com o livro ‘A tirania da comunicação’ de Ignácio Ramonet, “a informação tornou-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado, não comprometendo-se com respeito aos cidadãos e à ética.”(4) A comunicação se tornou um império vulgar e manipulador que almeja a conquista do maior número de espectadores.

Portanto, é possível associar a negligência – que inquieta o sentimento da pessoa menos favorecida monetariamente, prejudicando a sua auto-estima e piorando a situação em que ele se encontra -, consequência do capitalismo e, dessa forma, da luta entre as classes sociais, com a falta de escolaridade e de oportunidades, nos evidenciando dessa forma que a exclusão social também está associada a exclusão digital e à manipulação das informações e da opinião do cidadão. O que deve ser feito para impedir tais acontecimentos seria a integração de algumas ações de modo a atender respeitosamente as necessidades da sociedade e colocando fim a essas desigualdades. Com as realidades expressas nesse texto, fica claro que as organizações não se podem dar o luxo de empurrar o novo com a barriga. Precisamos de mudanças, agora.

Catharina Guedes


***
(1) – http://www.iets.org.br/biblioteca/Exclusao_digital_um_problema_tecnologico_ou_social.pdf

(2)- http://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_social

(3)- http://www.eci.ufmg.br/bogliolo/downloads/SORJ%20e%20GUEDES%20Exclusao%20digital%20politicas%20publicas.pdf

(4) – Livro ‘A tirania da comunicação’ de Ignácio Ramonet

Imagem – http://2.bp.blogspot.com/_QcfhNo3uPkA/SKc_V0rpjfI/AAAAAAAAAC8/IlesQ35CWcs/s320/cego.jpg

Anúncios

O futuro do papel está próximo

Posted in Uncategorized on 27 de maio de 2009 by Polentas

Kindle DX
Kindle DX

 (1)

Mercado brasileiro prepara-se para leitores eletrônicos, incluindo distribuição digital em contratos e experimentando aparelhos disponíveis

“Anunciado no início deste mês, o Kindle Deluxe (da Amazon), o mais novo leitor eletrônico de livros e jornais, é mais um passo na esperada revolução da forma de armazenar, transferir e consumir livros (…).

Embora os aparelhos e livros digitais ainda sejam limitados aos EUA e não tenham previsão de chegar ao Brasil, o assunto já está na pauta das principais editoras do mercado e também das grandes livrarias. Por exemplo, a maioria dos contratos assinados nos últimos três anos, quando surgiram os primeiros leitores Kindle e Reader (da Sony), já inclui o direito à distribuição na forma digital. E as editoras, de um modo geral, afirmam poder produzir rapidamente as versões e-books de seus catálogos”. (2)

 

 

Passando a limpo…

Como já se sabe, o material impresso vem perdendo espaço para o digital há alguns anos, tendo como consequência, por exemplo, a queda das vendas de jornais diários, uma vez que estes já estão disponíveis na Internet. Os livros também são possíveis de se encontrar no mundo virtual, porém são raros os conteúdos completos, na maioria das vezes encontra-se somente um resumo ou apenas um capítulo para ler. O meio mais atual que se tem para baixar livros completos é o programa gratuito Stanza: um leitor de e-Books somente para iPhone e iPod Touch. 

Mas agora esses paradigmas estão sendo renovados com o lançamento do Kindle DX. Pequeno e portátil, ele é um novo aparelho digital sem fio, que permite baixar conteúdos completos de livros e jornais a qualquer hora e lugar. Com capacidade para 3500 livros, tela de aproximadamente 10 polegadas, bateria que dura até duas semanas e um dispositivo de leitura com sintetizador de voz, o Kindle 2 (segunda versão do aparelho) é a nova estratégia da Amazon para enfraquecer concorrentes que vinham planejando um leitor eletrônico semelhante. Além disso, a fabricante aposta na praticidade desse produto para pessoas que tenham que carregar muitos livros, como advogados, estudantes e editores. Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record, acredita no “boom” da mercadoria. “Aquele estudante que compra, ou gostaria de comprar, mas não tem dinheiro, dez a doze livros por semestre, para carregar pra lá e pra cá, certamente vai amar o livro eletrônico”. 

Por enquanto o Kindle só está disponível em território americano e custa cerca de 500 dólares, mas chegando ao Brasil, com as taxas de importação, não sairia por menos de 600 ou 700 dólares, cerca de 1500 reais. Por ter um valor muito alto, é uma tecnologia que talvez demore pra pegar ritmo de venda no nosso país. Além disso, o lançamento do produto também contribuiria para a questão da exclusão digital. Atualmente, o número de pessoas de classe baixa que possuem computador em casa cresceu, porém elas não têm acesso à Internet devido ao alto custo, seja via banda larga ou por acesso discado. Imagine então ter o serviço de Internet num aparelho que sai mais caro do que o computador que este indivíduo comprou? Se essa população consegue comprar microcomputador hoje é porque este tem um preço mais acessível, pois é de uma geração mais antiga e obsoleta. E isso é perceptível só pelo preço dos novos modelos, onde essa camada mais pobre não teria dinheiro para comprá-los. 

Mas o custo não é único malefício do Kindle, foi o que apontaram Elisa Braga, diretora de produção da Companhia das Letras, e Sergio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura, respectivamente. “São pouco práticos. Um aparelho somente para leitura, por 500 dólares, é algo que não vai pegar no Brasil. Só vai funcionar quando houver um dispositivo que integre tudo, como um celular com tela dobrável”. “Quem viaja a trabalho ou em férias, vai querer carregar notebook, celular e ainda um e-reader? Com os respectivos cabos e carregadores? O quanto estamos dispostos a ter e carregar tantos cacarecos?”. 

“Estamos num campo de turbulência, em que a geração de publicações que exploram as capacidades específicas do universo digital, o crescimento exponencial da Web e a vulgarização do trabalho em rede e em ambientes hiper-textuais questionam algumas noções atribuíveis aos textos da cultura do impresso, como sua fixidez, linearidade, seqüencialidade, autoridade ou finitude, provocando transformações nas clássicas definições de autor, leitor e suas relações mútuas, bem como dando lugar a novas formas de ler e de escrever.” (3)

Mariana Anauate

 

(1) Imagem retirada do site: 

http://www.amazon.com/Kindle-Amazons-Original-Wireless-generation/dp/B000FI73MA

(2)   Folha de São Paulo, caderno Ilustrada 23/05/09

(3)   Trecho retirado do livro O papel e o pixel – do impresso ao digital: continuidades e transformações, José Afonso Furtado

Falta-nos Realidade*?

Posted in Uncategorized on 20 de maio de 2009 by Polentas

revista realidade

*apologia a revista Realidade, publicada no ano 1966 e que durou 10 anos. A revista valorizava as grandes reportagens e temas que, até então, não eram noticiados pela mídia.

 

“O jornalismo literário, o gonzo e outras variantes seriam uma grande oferta para quem está cansado de abrir os jornais e ver que não tem nada diferente do que se leu um dia antes”(1) Xico Sá.

“Jornais e revistas desprezaram por muito tempo os leitores que gostam de um bom texto simplesmente pelo prazer de lê-los e eu acho que este público não quer mais ser ignorado”(1) Matinas Suzuki Jr.

“Sempre busco fazer um texto que o leitor possa ler com o prazer de uma ficção. Isso só é possível com uma apuração tão completa, tão detalhada, que permita ao leitor ser transportado para a realidade que nós, repórteres, tivemos o privilégio de testemunhar. Então, ele pode fazer suas próprias escolhas, ter suas próprias opiniões. Algumas pessoas identificam essas características com o jornalismo literário; para mim, isso é bom jornalismo.”(1) Eliane Brum.

 

PASSANDO A LIMPO…

“Circulação de diários sofre queda acelerada” nos Estados Unidos, disseram Letícia Nunes e Larriza Thuler, no Observatório da Imprensa, no dia 24 de abril deste ano. (2)

Segundo o artigo, “as vendas dos jornais nos EUA vêm caindo desde o início dos anos 90, mas a queda tornou-se mais acelerada nos últimos anos”.

Isso é atual. Não temos aqui uma ameaça, mas um acontecimento. Mas, por quê?!

De acordo com outro artigo do Observatório da Imprensa (3), falta diversidade nas redações – disseram os jornalistas negros, hispânicos e asiático-americanos. Mas justamente esses jornalistas pertencentes às minorias que perderam mais, do que os brancos, os seus empregos. Ironia? Eles reclamam, eles são demitidos – não entendam aqui o segundo como conseqüência do primeiro, mas é interessante atentar.

Falta, então, diversidade… Diversificar e, eu acrescentaria, priorizar as informações, mostrando ao público mais realidade do que estão acostumados a ler, ver e ouvir nas notícias.

Falta-nos realidade! Faltam-nos realidades reflexivas e, portanto, literárias! Falta-nos tempo aos jornalistas que, como diria Bilac, são escultores da palavra, e também do pensamento – dele e de toda a população. E, como insiste o parnasiano, “trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!” (4). Poeta este que, com a herança da Belle Époque, nos ensinou o árduo trabalho perfeccionista da escrita e que Drummond diria também do conteúdo; já Oswald de Andrade se voltaria à brasilidade – escritor e jornalista-exemplo que nos lembrou o poder das palavras: “O papel impresso é mais forte que as metralhadoras”!

Faltam desejo e espelho do real – mais vivo em pauta fria do que a aspereza gelada que transmite uma “quentinha” – o fogo fez do texto pó, de rascunhos, pedaços, restos – e que, ainda assim, querem fazer dele instrumento de aprendizado. Como? Como aprender com algo feito as pressas? São informações sim, mas desgastantes para a população, cansada de ver tragédias e com sede de conhecimento. Como o assunto da postagem especial anterior, “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, outros assim devem ser mais explorados nos jornais para conscientizar a todos.

Mas ainda temos o Zero Hora e as memórias de Joel Silveira, José Hamilton Ribeiro, Marcos Faerman e Rubem Braga. Ainda temos a saudade do Jornal da Tarde e da revista Realidade, que como diz Rodolfo Viana, “jaz na memória nostálgica de quem tem mais de cinqüenta anos e que lamenta não terem surgidos, nos últimos anos, textos similares aos da extinta publicação da Editora Abril”. (5)

E como o mesmo cita, o gênero literário advém não somente da superficialidade, mas do espaço ocupado pela Internet no jornalismo atual, tornando esse gênero, um diferencial para o impresso. Ele ainda atenta para o papel primordial de informar, antes de ser literário. Mas isso não impede de voltarmos a usufruir com abundância do velho Novo Jornalismo, afinal…

Falta-nos um Novo Jornalismo… E ainda mais novo!

 

Patricia Faermann.

——

1. Retirado do artigo “Um outro olhar de mundo” de Rodolfo Viana, no Observatório da Imprensa.

2. Artigo: “Circulação de diários sofre queda acelerada”, no Observatório da Imprensa

3. Artigo: “Minorias denunciam falta de diversidade nas redações”, no Observatório da Imprensa

4. Trecho do poema “A um poeta”, de Olavo Bilac, retirado de “A magia da poesia”

5. Trecho do artigo “Um outro olhar de mundo” de Rodolfo Viana, no Observatório da Imprensa. 

 

18 de Maio: Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. (Especial)

Posted in Uncategorized on 20 de maio de 2009 by Polentas

violencia___infantil

 No dia 18 maio, é lembrado em todo o Brasil o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Instituída em 2000 pela lei federal n° 9.970, a data foi escolhida em razão de um crime ocorrido na cidade de Vitória (ES), em 1973. A vítima foi Araceli Cabrera Sanches, uma menina de 8 anos, que foi raptada, violentada e morta. Os criminosos são jovens da alta sociedade, que estão impunes até hoje.

 Em 2009, a campanha tem como tema: “Faça Bonito: Proteja Nossas Crianças e Adolescentes”. As manifestações começaram no domingo, dia 17, em Brasília, com cerca 500 crianças reunidas no Parque da Cidade, e se estenderão até o dia 28 desse mês. Em todo o País, pontos focais dos comitês de enfrentamento e entidades mobilizam a sociedade civil e os poderes públicos para o problema da exploração sexual infanto-juvenil com programações locais. O objetivo principal do calendário de atividades é mobilizar a sociedade em geral para o combate a essa forma de violência, além de estimular a denúncia contra a violação dos direitos de crianças e adolescentes brasileiros.

 Por meio do Disque 100 – serviço telefônico nacional em que as pessoas denunciam violências sofridas por crianças e adolescentes – vários casos já foram descobertos e solucionados. Em 2009, a média de ligações por dia é 89. O tipo de violência mais denunciado é o abuso sexual (58,31% dos registros), seguido de prostituição (39,97%). Pornografia infantil e tráfico de crianças e adolescentes correspondem a, respectivamente, 1,71% e 0,72% das denúncias. Conforme o levantamento, os Estados que mais denunciaram foram São Paulo (12.565 dos casos), Bahia (9.200) e Rio (8.356).

 A mídia é muito importante na divulgação desse tema. Através de artigos, reportagens, notícias, a população deve se manter informada para conseguirmos combater esses crimes.  As famílias, professores e autoridades tem um papel muito grande nessa luta e não devem deixar de exercê-lo, mostrando para as crianças os riscos que elas correm com determinadas atitudes que as vezes parecem inofensivas.

Bibliografia:

+ Instituto Recriando

 http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_090518_001.html

 http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u567536.shtml

 http://www.infonet.com.br/noticias/ler.asp?id=85619&titulo=cidade

 http://www.andi.org.br/

 

Amanda Caroni

Proibição. Repressão?

Posted in Uncategorized on 30 de abril de 2009 by Polentas

233707888_fa71245e50

<!–[if gte mso 9]> Normal 0 21 <![endif]–>


“Claro que, como todo mundo com um mínimo de lucidez, aprovo medidas restritivas para proteger aqueles que não fumam. Mas é evidente também que a Lei do Serra aprovada esta semana pela dócil Assembléia Legislativa de São Paulo é tão draconiana, arbitrária e discriminatória que até os não-fumantes hão de concordar com o exagero.”

Ricardo Kotscho

“Meu pai, meus tios, um primo muito próximo, meu avô materno viveram muito menos do que poderiam por culpa do cigarro”… “creio que desenvolvi alergia ao cigarro por causa disso”.

José Serra

“Mais do que repressão, é importante educar a população dependente do fumo”

Rui Falcão

Passando a limpo…

Sim, voltamos ao assunto. Não. Não somos chatas. Apenas acreditamos que esse assunto mereça ser discutido com profundidade.

No dia 09 de Abril publicamos um post especial sobre a lei anti-fumo do governador José Serra. A lei que será sancionada nós próximos dias e entrará em vigor três meses após a sanção, proíbe o fumo em lugares fechado de acesso público. O tema já causou bastante discussão e queremos discuti-la aqui também.

A lei foi aprovada por 69 a 18 votos pela Assembléia Legislativa de São Paulo. A maioria dos 94 deputados estaduais da Assembléia faz parte da situação, ou seja, votaram simplesmente pela vontade dos partidos envolvidos.

É o caso do deputado Fernando Capez (PSDB) que apesar de ser da bancada governista havia sido contrário ao projeto de lei por considerá-lo inconstitucional. O deputado apresentou uma emenda para modificar o texto do projeto, que não foi aceita. Capez votou a favor da aprovação integral do texto pela posição do partido e à figura de José Serra.

O Partido dos Trabalhadores teve maioria nos votos contra o projeto. Dos 18 votos, 17 foram do PT (o outro foi do PV). Em entrevista ao site UOL, Rui Falcão, líder petista na Assembléia, acredita no aumento no preço dos cigarros para dificultar o acesso das pessoas ao fumo. O deputado diz que espera da população uma cobrança efetiva para o tratamento dos fumantes.

De acordo com outras duas emendas aprovadas juntamente com a lei, o governo paulista terá de fazer campanha sobre as proibições e as sanções impostas por ela e disponibilizar no sistema de saúde pública assistência terapêutica e medicamentos antitabagismo para fumantes que queiram parar de fumar.

José Serra como Ministro da Saúde implantou medidas para proibir a publicidade de cigarros, estampar fotos nos maços, proibir fumo em aviões, fazer campanhas anti fumo na TV e auxiliar fumantes que queiram parar.

De acordo com o jornal Estadão já existem 550 pessoas aguardando tratamento nos dois principais centros da capital. Faltam remédios e, dos 88 serviços capacitados pelo SUS para oferecer tratamento completo aos fumantes, apenas 53 ofereceram tratamento.

Não sei se estou sendo radical, mas me parece que tudo nessa lei seja um bocado contraditório.

O governo impede de fumar por questão de saúde pública, promete tratamento, mas há tempo não o cumpre. A lei surgiu para defender a população em geral, mas em uma entrevista a Folha de S. Paulo o governador apresentou, entre outras razões para defender a lei, um trauma de infância. “Meu pai, meus tios, um primo muito próximo, meu avô materno viveram muito menos do que poderiam por culpa do cigarro”. Ué?

Coloco nesse vídeo abaixo outras ironias dessa lei repressiva, e coloco sim minha opinião.

Lembrando: Não fumo, tenho horror e inclusive alergia ao cigarro.

Marina dos Anjos

 

Até o silêncio esperneava. – “Diretas já: a explosão de um povo”

Posted in Uncategorized on 28 de abril de 2009 by Polentas

“Só eleições diretas, dentro dos ritos da democracia moderna, que compreendem o sufrágio universal e secreto, podem superar dificuldades políticas e econômicas como as que vivem hoje a sociedade brasileira.”

“Me perguntaram se aqui estão 300 ou 400 mil pessoas. Mas a resposta é outra: aqui estão presentes as esperanças de 130 milhões de brasileiros”, diria durante seu discurso o governador Franco Montoro Filho.

Passando a limpo…

O cansaço abatia a população. Estavam cansados de tanta injustiça, cansados por não serem ouvidos, por serem tratados como bichos adestrados, por guardarem todo esse rancor e terem como recompensa o silêncio forçado. A diferença é que agora até ele – o silêncio – esperneava.

O movimento conhecido como ‘Diretas Já!’ foi gigantesco; obteve maior participação popular na história do Brasil. Iniciou-se em 1983, no governo de João Batista Figueiredo com a proposta do deputado Dante de Oliveira (PMDB – Mato Grosso) que queria um novo modo de eleiçao : o direto. De acordo com a campanha, as eleições deveriam transcorrer através do voto popular mas, para isso, era necessário que a emenda constitucional aprovasse a norma.

Em 25 de janeiro de 1984, milhões de pessoas foram às ruas – cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro – pedir por uma democracia, deixaram de lado aquela indolência extrema e resolveram que de alguma maneira era necessário que fossem ouvidos. “Depois de duas décadas intimidada pela repressão, o movimento das Diretas Já ressuscitou a esperança e a coragem da população.”

Mesmo após tamanha repercussão, a emenda Dante de Oliveira foi rejeitada; não foi possível alcançar número suficiente de votos, faltaram apenas 22 para que ocorresse a aprovação. Porém, a mobilização, o desejo de mudança e o ressurgimento de esperança da população, forçou uma negociação entre a oposição política e o regime militar. Assim, Tancredo Neves, um dos líderes oposicionistas, é eleito, em 15 de janeiro de 1895, presidente da República.

Máquina do tempo…


Desde o Golpe de 1964, o governo militar fazia documentos legais outorgados a sociedade. Esse documento eram conhecido como “atos constitucionais” e não precisavam da aprovaçao do Congresso Nacional (que foi fechado em 68, com o AI-5). Esses atos foram dando poderes cada vez mais fortes para o regime militar, que foi se tornando cada vez mais brutal, absoluto e totalitário.

Como resultado da imensa crise que abateu o Brasil por conta dos protestos conduzidos pelos estudantes, em 13 de zembro de 1968 o regime criou o AI-5, ato que configurava a ditadura deslavada e absoluta.

O golpe de 64 foi produto da divisão do mundo (causada pela guerra fria) e da divisão do Brasil (pela ditadura militar). Essa divisão foi ficando cada vez mais evidente, até chegar num momento de radicalizaçao extrema em 1968.


“No mesmo dia em que se publicou o Ato, o Jornal do Brasil foi ocupado por dois oficiais; no dia seguinte, os jornalistas substituíram o material aprovado, publicando o material proibido; no dia 15, cinco oficiais passaram a censurar o jornal, o que fizeram durante três semanas. A partir de 6 de janeiro, o Jornal do Brasil submeteu-se à auto-censura, em conformidade com as instruções da Censura, situação que perdurou até 1972. O Correio da Manhã também foi invadido logo após o AI-5, Hélio Fernandes, diretor da Tribuna da Imprensa, que pouco antes havia sido preso e confinado na ilha de Fernando de Noronha, tinha sido solto, foi preso outra vez. Em São Paulo, uma edição do O Estado de São Paulo foi confiscada porque protestava contra o AI-5 e, em vários pontos do País, abusos semelhantes foram constatados.”


A censura também foi bastante marcante na música. Um exemplo forte disso é a canção “Cálice” de Chico Buarque, que foi censurada pelo regime em 1969. Durante esse período o músico estava exilado na Italia e até criou um pseudômino para conseguir divulgar algumas de suas canções.


Na época da ditadura militar, o espírito do cidadão começou a ser inundado pela liberdade. “Proibir o proibido” era uma das frases que marcou esse período de exaltaçao, luta, inconformismo de toda uma geraçao.


Hoje em dia, ainda temos nossa lutas, mas com um Brasil mais evoluído tecnologicamente, industrialmente e até mentalmente, a sociedade é outra, a busca pela liberdade é diferente. Não podemos minimizar nossos problemas politicos e sociais, mas comparando-os aos daquela época eles até parecem pequenos.


Amanda Caroni e Catharina Guedes

—————————————————————————————-

*http://abrindogavetas1.blogspot.com/2008/06/imprensa-e-ditadura-militar.br

*Carlos marchi, repórter do O Estado de São Paulo

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_N%C3%BAmero_Cinco

*”Diretas já: quinze meses que abalaram a ditadura” – livro de Domingos Leonelli, Dante de Oliveira e Orlando Brito

Da caixa preta à digital

Posted in Uncategorized on 21 de abril de 2009 by Polentas

 

FOTO MUN(DANA).

            MUNDANOS

                      DANOS

            MUDAMOS

        (I)MUNDOS.

 

“Não foram poucos os impactos sociais, culturais e, sobretudo, artísticos provocados pela fotografia. Nos novos ambientes socioculturais inaugurados pela industrialização, as imagens fotográficas coincidiram com a explosão demográfica, com o aparecimento dos grandes centros urbanos, com o homem na multidão (Benjamim, 1975). A partir disso, o valor simbólico do espaço mitificado do atelier do artista começou a ser ofuscado por novas possibilidades de atuação, quando o artista passou a assumir sua posição urbana, saindo do atelier, abandonando o cavalete e o sonho da natureza em estado puro para colher flagrantes de rua e da vida mundana.” ¹

 

PASSANDO A LIMPO…

 

A máquina fotográfica, assim como toda técnica, desenvolveu-se com o passar do tempo desde os seus primeiros indícios até como a conhecemos atualmente.

Foi em 1826 que tudo começou definitivamente, sem descartar as descobertas (ou “vestígios”) anteriores, com o francês Joseph Nicéphore Niépce e Louis Daguerre, que continuou o seu trabalho após a morte do amigo. Assim, aquelas “caixas” esquisitas começaram a atuar na sociedade francesa e logo alcançaram o mundo todo. Mal sabiam eles das conseqüências que a “engenhoca” causaria para a História da humanidade.

 

 

Na primeira, um fotógrafo com seu laboratório e na segunda, câmera usada por Daguerre.

Na primeira, um fotógrafo com seu laboratório e na segunda, câmera usada por Daguerre.

Mathew Brady fez o primeiro trabalho de fotografia em campos de batalha, mais especificamente, na Guerra de Secessão norte-americana. O que não foi nada fácil, constatando a difícil mobilidade do equipamento, a não existência de “flash” (precisava da luz solar!) e por não fixar nada em movimento. Ele conseguiu, já que o foco da sua caixa preta não precisava fazer pose… Eram mortos. Surgia o Fotojornalismo.

 

 

Fotografia de Mathew Brady na Guerra de Secessão.

Fotografia de Mathew Brady na Guerra de Secessão.

 

O simples, leve, portátil e pequeno das câmeras da Kodak na Primeira Guerra Mundial configurou na presença de movimento nas fotos históricas da guerra. A agilidade e praticidade desse instrumento na Segunda Guerra Mundial acompanharam a censura militar e, conseqüentemente, as imagens de heroísmo, glória e coragem contadas pelos fotógrafos norte-americanos. Na Guerra da Coréia, o fotojornalista David Duncan Douglas, desmascara os heróis e mostra o desespero ao mundo. Na Guerra do Vietnã, o trabalho de Douglas se estendeu para todos os outros fotógrafos, imprimindo dor e velocidade (mais perto do real), o que influenciou diretamente nos rumos do conflito.  

 

Na Guerra do Vietnã, as fotos ganham cor e tristeza.

Na Guerra do Vietnã, as fotos ganham cor e tristeza.

 

 

E, por fim, como cita Larissa Grau em matéria no Observatório da Imprensa, “na década de 90, surge o novo padrão digital de representar o mundo e com ele uma nova questão ética em ambientes nos quais as fotos podem facilmente ser manipuladas em sua essência” ².

Instrumento. Agora era possível manusear a visão. Do inevitável dos olhos passa-se ao poder das mãos. Pois se aquele que segura a máquina quer mostrar apenas uma parte do que os seus olhos captam, ele agora pode. Pode ver glória, onde há dor; pode visualizar a honra ou, se quiser, a infâmia, a desgraça, a calúnia, o medo, a corrupção…

O próprio desenvolvimento da História explica o desenvolvimento da máquina fotográfica, no qual um não foi possível sem o outro. Os impactos causados pelo fotojornalismo, desde a sua invenção, mudaram positiva ou negativamente os percursos da História e continuam no seu papel, enxergando, denunciando ou explicando os fatos para todos aqueles que abrirem uma página do jornal ou ligarem a TV.

A fotografia, ou fotojornalismo, veio para convencer a humanidade cética dos tropeços e pulos da sociedade.

É a captação visual que não tivemos, mas ainda assim, podemos presenciar. É o papel que os olhos não têm de mostrar a quantos forem preciso, o que um único indivíduo pôde, ou quer, enxergar. É a dinâmica paralisada e materializada no papel.

Aquilo que o homem sempre quis: Parar o tempo. Desmascarar o que a velocidade do movimento omite e sem que possamos, ao menos, perceber. E é por isso que ela veio para modificar/denunciar o cotidiano.

(In)Justiças em flashes urbanos.

A história do fotojornalismo, apesar de todas as censuras sofridas, do etnocentrismo e das inclinações ideológicas, é maior do que os seus percalços. Foi o modo que o mundo encontrou para ser apreendido e representado. As imagens que fizeram a história do mundo continuam a fazer presentes aqueles que já não estão entre nós há muito tempo. Essa é a sua função e o que as imagens têm a ensinar. Que o vínculo direto que ela mantém com a coisa representada não seja quebrado pela ausência de confiança naqueles que a produzem.” ³

—–

¹ TRECHO DE: SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano – da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003. p.152-153

² TRECHO DE: Larissa Grau em “Fotojornalismo – A História e representação do mundo”. Observatório da Imprensa, 14 de Agosto de 2007. (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=446FDS003)

³ TRECHO DE: Larissa Grau em “Fotojornalismo – A História e representação do mundo”. Observatório da Imprensa, 14 de Agosto de 2007. (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=446FDS003)

 

Patricia Faermann.