O futuro do papel está próximo

- Kindle DX
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Mercado brasileiro prepara-se para leitores eletrônicos, incluindo distribuição digital em contratos e experimentando aparelhos disponíveis
“Anunciado no início deste mês, o Kindle Deluxe (da Amazon), o mais novo leitor eletrônico de livros e jornais, é mais um passo na esperada revolução da forma de armazenar, transferir e consumir livros (…).
Embora os aparelhos e livros digitais ainda sejam limitados aos EUA e não tenham previsão de chegar ao Brasil, o assunto já está na pauta das principais editoras do mercado e também das grandes livrarias. Por exemplo, a maioria dos contratos assinados nos últimos três anos, quando surgiram os primeiros leitores Kindle e Reader (da Sony), já inclui o direito à distribuição na forma digital. E as editoras, de um modo geral, afirmam poder produzir rapidamente as versões e-books de seus catálogos”. (2)
Passando a limpo…
Como já se sabe, o material impresso vem perdendo espaço para o digital há alguns anos, tendo como consequência, por exemplo, a queda das vendas de jornais diários, uma vez que estes já estão disponíveis na Internet. Os livros também são possíveis de se encontrar no mundo virtual, porém são raros os conteúdos completos, na maioria das vezes encontra-se somente um resumo ou apenas um capítulo para ler. O meio mais atual que se tem para baixar livros completos é o programa gratuito Stanza: um leitor de e-Books somente para iPhone e iPod Touch.
Mas agora esses paradigmas estão sendo renovados com o lançamento do Kindle DX. Pequeno e portátil, ele é um novo aparelho digital sem fio, que permite baixar conteúdos completos de livros e jornais a qualquer hora e lugar. Com capacidade para 3500 livros, tela de aproximadamente 10 polegadas, bateria que dura até duas semanas e um dispositivo de leitura com sintetizador de voz, o Kindle 2 (segunda versão do aparelho) é a nova estratégia da Amazon para enfraquecer concorrentes que vinham planejando um leitor eletrônico semelhante. Além disso, a fabricante aposta na praticidade desse produto para pessoas que tenham que carregar muitos livros, como advogados, estudantes e editores. Luciana Villas-Boas, diretora editorial da Record, acredita no “boom” da mercadoria. “Aquele estudante que compra, ou gostaria de comprar, mas não tem dinheiro, dez a doze livros por semestre, para carregar pra lá e pra cá, certamente vai amar o livro eletrônico”.
Por enquanto o Kindle só está disponível em território americano e custa cerca de 500 dólares, mas chegando ao Brasil, com as taxas de importação, não sairia por menos de 600 ou 700 dólares, cerca de 1500 reais. Por ter um valor muito alto, é uma tecnologia que talvez demore pra pegar ritmo de venda no nosso país. Além disso, o lançamento do produto também contribuiria para a questão da exclusão digital. Atualmente, o número de pessoas de classe baixa que possuem computador em casa cresceu, porém elas não têm acesso à Internet devido ao alto custo, seja via banda larga ou por acesso discado. Imagine então ter o serviço de Internet num aparelho que sai mais caro do que o computador que este indivíduo comprou? Se essa população consegue comprar microcomputador hoje é porque este tem um preço mais acessível, pois é de uma geração mais antiga e obsoleta. E isso é perceptível só pelo preço dos novos modelos, onde essa camada mais pobre não teria dinheiro para comprá-los.
Mas o custo não é único malefício do Kindle, foi o que apontaram Elisa Braga, diretora de produção da Companhia das Letras, e Sergio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura, respectivamente. “São pouco práticos. Um aparelho somente para leitura, por 500 dólares, é algo que não vai pegar no Brasil. Só vai funcionar quando houver um dispositivo que integre tudo, como um celular com tela dobrável”. “Quem viaja a trabalho ou em férias, vai querer carregar notebook, celular e ainda um e-reader? Com os respectivos cabos e carregadores? O quanto estamos dispostos a ter e carregar tantos cacarecos?”.
“Estamos num campo de turbulência, em que a geração de publicações que exploram as capacidades específicas do universo digital, o crescimento exponencial da Web e a vulgarização do trabalho em rede e em ambientes hiper-textuais questionam algumas noções atribuíveis aos textos da cultura do impresso, como sua fixidez, linearidade, seqüencialidade, autoridade ou finitude, provocando transformações nas clássicas definições de autor, leitor e suas relações mútuas, bem como dando lugar a novas formas de ler e de escrever.” (3)
Mariana Anauate
(1) Imagem retirada do site:
http://www.amazon.com/Kindle-Amazons-Original-Wireless-generation/dp/B000FI73MA
(2) Folha de São Paulo, caderno Ilustrada 23/05/09
(3) Trecho retirado do livro O papel e o pixel – do impresso ao digital: continuidades e transformações, José Afonso Furtado
28 28UTC maio 28UTC 2009 às 10:35
Adorei o Kindle2!!!
é D+!!!
31 31UTC maio 31UTC 2009 às 00:58
Embora ache que a cada dia a humanidade se rende cada vez mais à tecnologia, ainda acredito no poder da palavra escrita no papel, sejam nos jornais, sejam nos livros ou semanários. Talvez seja um pouco de romantismo……… E viva os jornais, livros, bibliotecas!
3 03UTC junho 03UTC 2009 às 22:15
Meninas, muito interessante a matéria. Não sabia sobre esse “kindle”, se bem q eu prefiro o papel mesmo heheh
beijos
9 09UTC junho 09UTC 2009 às 17:43
Muito interessantes as colocações da Mariana.
Acho que os avanços tecnolócicos são muito rápidos e novos lançamentos substituem com muita rapidez equipamentos que demandam altos custos pra serem produzidos e muitas vezes não se pagam.
Será que o “kindle” vai se tornar obsoleto em breve?
Sou do tempo antigo e adoro cheiro de livro.!!!!!
15 15UTC junho 15UTC 2009 às 19:14
Marina,
A respeito da entrevista feita no METAJORNALISMO com o Augusto Nunes, foi uma pauta de serviço. Meu interesse era passar pro leitor do blog o serviço da coluna dele – da qual gosto muito – e falar sobre a carreira dele. A VEJA não era o foco. Mesmo porque, depois de tantos anos longe da revista, ele teria pouco a dizer sobre ela. E ele não está NA revista e, sim, no portal VEJA.
Quanto à minha mudança de postura, eu não consegui observar nenhuma. Simplesmente não me posicionei a respeito da revista, não era esse, repito, o objetivo da entrevista.
Fica a dica pro seu blog e do seu grupo: perguntas capciosas e irônicas. Comece pelo Lula, que você admira tanto. Ou será que você vai ficar com medo das respostas dele? Ou vai preferir ser educada?
Danilo Thomaz
15 15UTC junho 15UTC 2009 às 19:16
Aliás, quem tem medo de ouvir respostas não publica que o Brasil só teve presidentes loucos nem tampouco críticas ao meio acadêmico – sendo universitário.