Até o silêncio esperneava. – “Diretas já: a explosão de um povo”

“Só eleições diretas, dentro dos ritos da democracia moderna, que compreendem o sufrágio universal e secreto, podem superar dificuldades políticas e econômicas como as que vivem hoje a sociedade brasileira.”

“Me perguntaram se aqui estão 300 ou 400 mil pessoas. Mas a resposta é outra: aqui estão presentes as esperanças de 130 milhões de brasileiros”, diria durante seu discurso o governador Franco Montoro Filho.

Passando a limpo…

O cansaço abatia a população. Estavam cansados de tanta injustiça, cansados por não serem ouvidos, por serem tratados como bichos adestrados, por guardarem todo esse rancor e terem como recompensa o silêncio forçado. A diferença é que agora até ele – o silêncio – esperneava.

O movimento conhecido como ‘Diretas Já!’ foi gigantesco; obteve maior participação popular na história do Brasil. Iniciou-se em 1983, no governo de João Batista Figueiredo com a proposta do deputado Dante de Oliveira (PMDB – Mato Grosso) que queria um novo modo de eleiçao : o direto. De acordo com a campanha, as eleições deveriam transcorrer através do voto popular mas, para isso, era necessário que a emenda constitucional aprovasse a norma.

Em 25 de janeiro de 1984, milhões de pessoas foram às ruas – cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro – pedir por uma democracia, deixaram de lado aquela indolência extrema e resolveram que de alguma maneira era necessário que fossem ouvidos. “Depois de duas décadas intimidada pela repressão, o movimento das Diretas Já ressuscitou a esperança e a coragem da população.”

Mesmo após tamanha repercussão, a emenda Dante de Oliveira foi rejeitada; não foi possível alcançar número suficiente de votos, faltaram apenas 22 para que ocorresse a aprovação. Porém, a mobilização, o desejo de mudança e o ressurgimento de esperança da população, forçou uma negociação entre a oposição política e o regime militar. Assim, Tancredo Neves, um dos líderes oposicionistas, é eleito, em 15 de janeiro de 1895, presidente da República.

Máquina do tempo…


Desde o Golpe de 1964, o governo militar fazia documentos legais outorgados a sociedade. Esse documento eram conhecido como “atos constitucionais” e não precisavam da aprovaçao do Congresso Nacional (que foi fechado em 68, com o AI-5). Esses atos foram dando poderes cada vez mais fortes para o regime militar, que foi se tornando cada vez mais brutal, absoluto e totalitário.

Como resultado da imensa crise que abateu o Brasil por conta dos protestos conduzidos pelos estudantes, em 13 de zembro de 1968 o regime criou o AI-5, ato que configurava a ditadura deslavada e absoluta.

O golpe de 64 foi produto da divisão do mundo (causada pela guerra fria) e da divisão do Brasil (pela ditadura militar). Essa divisão foi ficando cada vez mais evidente, até chegar num momento de radicalizaçao extrema em 1968.


“No mesmo dia em que se publicou o Ato, o Jornal do Brasil foi ocupado por dois oficiais; no dia seguinte, os jornalistas substituíram o material aprovado, publicando o material proibido; no dia 15, cinco oficiais passaram a censurar o jornal, o que fizeram durante três semanas. A partir de 6 de janeiro, o Jornal do Brasil submeteu-se à auto-censura, em conformidade com as instruções da Censura, situação que perdurou até 1972. O Correio da Manhã também foi invadido logo após o AI-5, Hélio Fernandes, diretor da Tribuna da Imprensa, que pouco antes havia sido preso e confinado na ilha de Fernando de Noronha, tinha sido solto, foi preso outra vez. Em São Paulo, uma edição do O Estado de São Paulo foi confiscada porque protestava contra o AI-5 e, em vários pontos do País, abusos semelhantes foram constatados.”


A censura também foi bastante marcante na música. Um exemplo forte disso é a canção “Cálice” de Chico Buarque, que foi censurada pelo regime em 1969. Durante esse período o músico estava exilado na Italia e até criou um pseudômino para conseguir divulgar algumas de suas canções.


Na época da ditadura militar, o espírito do cidadão começou a ser inundado pela liberdade. “Proibir o proibido” era uma das frases que marcou esse período de exaltaçao, luta, inconformismo de toda uma geraçao.


Hoje em dia, ainda temos nossa lutas, mas com um Brasil mais evoluído tecnologicamente, industrialmente e até mentalmente, a sociedade é outra, a busca pela liberdade é diferente. Não podemos minimizar nossos problemas politicos e sociais, mas comparando-os aos daquela época eles até parecem pequenos.


Amanda Caroni e Catharina Guedes

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*http://abrindogavetas1.blogspot.com/2008/06/imprensa-e-ditadura-militar.br

*Carlos marchi, repórter do O Estado de São Paulo

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_Institucional_N%C3%BAmero_Cinco

*”Diretas já: quinze meses que abalaram a ditadura” – livro de Domingos Leonelli, Dante de Oliveira e Orlando Brito

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